TRÂNSITO e PSICOLOGIA?! Mas, o que isso tem a ver?

postado em 24 de ago de 2011 16:06 por Fábio de Cristo   [ 7 de out de 2014 16:49 atualizado‎(s)‎ ]
Autor: Fábio de Cristo, psicólogo (CRP-17/1296), doutor em psicologia e pesquisador colaborador na Universidade de Brasília, onde desenvolve pós-doutorado sobre o comportamento no trânsito. Administrador do Portal de Psicologia do Trânsito (www.portalpsitran.com.br) e coordenador da Rede Latino-Americana de Psicologia do Trânsito. Autor do livro "Psicologia e trânsito: Reflexões para pais, educadores e (futuros) condutores".

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Caro leitor, é com grande entusiasmo que escrevo esta minha primeira coluna neste blog. Minha alegria é dupla. Primeiramente, por falar a respeito da psicologia, área em que sou formado, e, segundo, porque vou falar de uma especialidade muito pouco conhecida, a qual tenho me dedicado a estudar e pesquisar, que é a psicologia do trânsito. Psicologia do... TRÂNSITO?! Isso mesmo, psicologia do trânsito! Não tenho notícias de um psicólogo do trânsito fazendo isto em nosso país, a não ser em textos esporádicos em alguns jornais. Por isso, escrever uma coluna semanal sobre esse tema é também, para mim, um grande desafio pessoal e profissional. Espero, portanto, fazer um trabalho bem feito e útil para você, leitor, em suas reflexões.

Para que possamos entender a importância de se falar em uma psicologia dedicada a estudar o trânsito e como ela pode ajudar a melhorar a situação neste espaço, é fundamental, em primeiro lugar, tomarmos consciência do papel central que o trânsito exerce em nossas vidas. Sem esta consciência, não fará sentido algum relacionar trânsito e psicologia. Permita-me, então, propor um exercício: imagine um dia típico seu. Pense em todas as atividades que você desempenha ao longo das 24h. Pense o quanto se desloca para chegar até elas. Pense em quantos deslocamentos você realiza em um dia típico. Pense ainda como se dá esse deslocamento: de carro? moto? ônibus? a pé? Procure pensar onde está o trânsito nesta sua rotina.
 
Pois bem..., alguns poderão pensar: acordo, tomo café, vou para o trabalho, saio para almoçar, em seguida, retorno ao trabalho, volto pra casa à noite, chego em casa, saio à pé para comprar o pão etc. Após este exercício, fatalmente, você poderá logo chegar a seguinte conclusão: é quase impossível não se deslocar! É impossível não participar do trânsito em algum momento, seja como pedestre, condutor ou passageiro, e que seria impossível uma sociedade que não pudesse se deslocar, uma vez que o trânsito possibilita, dentre inúmeras coisas, a troca de mercadorias que garantem o desenvolvimento das cidades, o intercâmbio de conhecimentos, tecnologias e cultura.

A psicologia do trânsito estuda exatamente o comportamento das pessoas que participam do trânsito, este sistema complexo que, apesar dos grandes avanços que vem nos possibilitando, também vem se mostrando bastante problemático. Desse modo, todos os envolvidos no trânsito, direta e/ou indiretamente, são “objetos” da psicologia do trânsito: motoristas, passageiros, pedestres, ciclistas, engenheiros de tráfego, instrutores de trânsito etc. Assim, a psicologia do trânsito procura investigar os fatores determinantes dos comportamentos neste espaço, sob que condições eles se manifestam, bem como os diversos aspectos (psicológicos, sociais, culturais, políticos, econômicos...) que estão implicados nesses comportamentos, tendo como finalidade colaborar para a segurança e o bem-estar das pessoas em seus deslocamentos.

Feitas essas considerações, o meu objetivo neste espaço para os próximos artigos será colocar os temas “trânsito” e “comportamento humano” em foco. Procurarei fazer isto abordando diversos temas estudados pela psicologia do trânsito, relacionando-os com situações cotidianas da realidade do nosso país. A minha expectativa é construir aqui um espaço para informar, esclarecer e despertar o senso crítico dos usuários do trânsito, possibilitando uma reflexão (e quem sabe uma mudança) de suas próprias ações neste espaço. É o que espero conseguir.

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